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Justiça tenta bloquear R$ 1 bi em esquema em MG, mas só acha R$ 27 milhões

  • 2 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Alan Cavalcante, apontado como líder em esquema de corrupção na mineração

IMAGEM: Reprodução


A Justiça Federal mandou bloquear mais de R$ 1 bilhão de suspeitos de participar de um esquema de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais e na ANM (Agência Nacional de Mineração), mas só encontrou R$ 27 milhões nas contas dos investigados.


O que aconteceu

A Justiça determinou o bloqueio de bens de 61 investigados na operação Rejeito. Os suspeitos são acusados de montar um esquema de corrupção junto a órgãos de fiscalização estaduais e federais no setor de mineração em Minas Gerais, segundo apontaram as investigações da operação, feita em setembro. Ao totalizar todas as decisões, a Justiça mandou bloquear R$ 1,5 bilhão dos investigados.


O caso está no STF. Como revelou o UOL, a investigação foi remetida ao STF (Supremo Tribunal Federal) recentemente, após a PF identificar uma menção ao nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG)


Dinheiro sumiu das contas. Instituições financeiras responderam à ordem da Justiça Federal logo após a deflagração da operação da PF, em 17 de setembro. Mas os dados apontam que os valores nas contas das pessoas e empresas investigadas são bem inferiores ao montante de dinheiro movimentado pelo grupo nos últimos anos.


Apontado como chefe do esquema possuía apenas R$ 20,7 mil em suas contas bancárias. Trata-se do empresário Alan Cavalcante, suspeito de organizar uma teia de empresas junto a outros sócios para conseguir explorar negócios da área de mineração por meio de pagamento de propinas a servidores públicos.


Defesa do empresário não comenta. Seu advogado foi procurado,mas não respondeu. O espaço segue aberto à manifestação.


Ele já havia sido alvo de operação anterior da PF sobre mineração ilegal. Quebras de sigilo bancário revelaram que ele recebeu mais de R$ 225 milhões de empresas envolvidas no esquema entre dezembro de 2019 e dezembro de 2024.


Dez empresas investigadas tinham saldo zerado. Bancos de todo o país informaram que as companhias, incluindo uma empresa de mineração, não possuíam recursos. A investigação aponta que as empresas eram utilizadas apenas como contas de passagem para o grupo criminoso.


"Corrupção sistêmica"

A Justiça Federal afirma que a investigação demonstrou indícios de "corrupção sistêmica" no governo de Minas. Também viu envolvimento de dois diretores da ANM.


Servidores públicos dos órgãos ambientais foram afastados. Todos os investigados que foram presos continuam detidos até hoje. Após a operação, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), afirmou que sua gestão estava "dando apoio à operação" e que já havia identificado algumas suspeitas. O caso aguarda uma análise do ministro Dias Toffoli, do STF.


Verificam-se realizadas diligências específicas aptas o bastante a demonstrar a existência de fortes indícios da prática dos crimes investigados, os quais notadamente apontam para a atuação dos investigados junto a órgãos públicos, ANM, Semad, Iphan, Feam, IEF, Copam, com provável pagamento de vantagens indevidas para obtenção de contrapartidas irregulares, consubstanciadas em prioridade e principalmente na obtenção ilícita de concessão/autorização ambiental para levar a efeito projetos minerários irregulares.

Decisão da Justiça Federal em Minas Gerais que autorizou a operação Rejeito


Nós estamos dando todo o apoio às investigações. Já havia suspeita por parte da Controladoria-Geral do Estado, que já estava fazendo diversas averiguações. E eu espero que haja uma punição exemplar para aqueles que realmente estejam envolvidos em qualquer ato ilegal.

Romeu Zema, governador de Minas Gerais, ao ser questionado por jornalistas após a operação, em setembro.



FONTE: uol.com.br


 
 
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